domingo, 16 de maio de 2010

Deu as costas e levou-me embora tudo.
É um tornado, um grande vendaval.
Virou-se, acenou, e nunca mais disse nada.
Talvez uma psicanálise, uma psicanalista. trazer-me à consciência, sentimentos.
Me deu adeus.
Deixou a confusão e a forma humana.
Quem escreve isso?
Um tormento?
Uma grande felicidade?
Ou pseudo feliz.
Talvez até coagular, tornar um pouquinho que fosse, mais sólido.
Um pouco mais viscoso, que conseguisse pegar, arrancar, analisar e diagnosticar.
O que é isso?
Se não podes me responder ao menos me dê um sinal.
Um ultimo tchau.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

tempo.

São sentimentos soltos, abusados, intrometidos, incovenientes, exedentes, perdidos.
Um turbilhão deles sofrem, se perdem, correm e se chocam em paredes cheias de interrogações que voam alto, que se perdem no tempo colorido dos humanos, dos amedrontados, dos impacientes, dos complicados, dos [pré]ocupados, insanos, dos ímprobos, dos fracos, dos fáceis, dos bobos... Se tornam fragmentos, embolados num conjunto de massa cinzenta, que correm pelo sangue e se acumulam no coração.
Acorda pra cuspir, olha pra realidade e por favor não me venha com essa de mundo paralelo dos sonhos e desejos sórdidos. Isso não existe mais, foi-se embora com o tempo, perdeu o encanto, a poesia, os versos a arte de ser.
Vive por ter que viver e acorda porque não aguenta mais os sonhos de beleza que se esvaem, que são apenas sonhos, que não descem do muro. Descobre que não são sonhos, são lembranças que o tempo deixou pra distância ser menor. O tempo não faz idéia do estrago da lembrança.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sofia era uma faisca solta, era exatamente o ponto de felicidade em Erick. Os olhos dela criam um universo particular, todos os mínimos detalhes, os cabelos de um tom peculiar, seus gostos estranhos e a sua voz. Criavam nele momentos únicos e sabia que aquilo poderia ser tudo e ao mesmo tempo não ser nada.
Poderia nunca mais falar com ela. poderia de todos os modos tentar dizer o quanto aquilo cresce dentro dele, poderia fazer comparações, metáforas ou simplesmente olhar todos os dias pra'queles olhos profundos, que penetrava até o fundo da sua alma, querendo achar todos os dias explicações que não existiam. Sentir sem conseguir provar. Sem precisar.Tão diferentes, completamente iguais.
Sofia certamente perceberá aquele dia que alguma coisa acontecia dentro de Erick, porque por mais que ele tentasse disfarçar, alguns sentimentos poderiam ser vistosa olho nu. seu olhar poderia entregar todos os seus mais intensos desejos, a cor rosada do seu pescoço e bochechas.
Sofia não era ingênua, nem tão pouco pura. Era complicada e extremamente perdida em seu próprio mundo colorido. Erick sabia e tão pouco parecia se encomodar com isso.
Talvez fosse isso que o interessasse tanto...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sempre tenho a impressão de que no céu, as nuvem se sobrepõem mais que todas as coisas. Elas sempre me mostram aquilo que eu consigo ver, posso enxergar corações, dragões, ursos e gigantes, e mais um amontoado de desenhos abstratos, eu posso olhar pra elas e dar a forma que eu quiser, mesmo que ninguem mais consiga enxergar o que eu enxergo. eu tenho certeza daquilo que vejo e vejo uma grandeza absurda, porque mesmo que o céu esteja num azul só, em algum lugar desse mundo elas estão trazendo sempre um fenômeno natural e transparente.
um sorriso pra'queles que sabem ver a sua beleza ou então uma chuva que deixa tudo no escuro, que arrebata, que faz voar os cabelos e que depois que passa deixa tudo como estava, intacto, bonito e feliz. O vendaval que causou foi intenso, deixou de pernas pro ar, sem chão. no fim vale a pena, não sei porque.
Um dia eu disse que uma nuvem, seria sempre a minha nuvem de algodão doce, meu riso fácil, minha tranqüilidade mais explosiva, meu infinito. Desde este dia o meu mundo deu um trilhão de voltas.
A nuvem nem se fale, explodiu, deu voltas pelo mundo, conheceu muitos céus e se apaixonou por cada um deles, no entanto ela sempre esteve aqui, junto com as outras e um amontoado de estrelas. Está lá intacta, pronta pros olhos alheios se apaixonarem, pronta pra sorrir, sempre arranjando um jeito de ser feliz
Está lá e mesmo que ela desapareça nesse mundão de deus, quando eu olhar pro meu céu eu vou ver cada pedaço que ela deixou, cada vendaval e chuva que ela trouxe, cada sol que ela abriu, cada escuridão que ela trouxe, cada doçura de abraço, cada sorriso sincero, todas as confissões e todos os sentimentos, todas as minúsculas coisas que eu aprendi, todas as coisas que eu ainda não sei explicar. tudo.
vai ser pra sempre a minha lembrança sem fim.

Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A roleta da vida gira, nunca para. O cassino recolhe as apostas, os apostadores oferecem tudo o que tem, a roleta gira mais uma vez, com uma força capaz de trazer de volta aqueles espectadores distraídos. Para, cai num vala. Um beco escuro. O mundo bonito tem um ar cinza, meio turvo, desconcentrado. Os espectadores passam. O apostador lamenta.
A roleta, que sempre esteve em movimento desandou, escorregou, entrou em desastre. O mundo parou, olhou e continuou. Afinal, você não é o único a entrar num jogo sem volta.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Como uma lagarta dentro de um casulo, que se esconde do mundo pra virar gente grande. Pra criar asas, pra ver o mundo lá do alto, pra voar sozinha e olhar com olhos pequeninos seres tão pequenininhos.aposto que se pudesse gritar, gritaria bem alto, e talvez até faça. a gente é que não sabe escutar.
A gente perde. esquece de deixar cair as migalhas de pão. A gente se esconde. perde muito, aprende tanto. talvez pudesse ficar no casulo o tempo todo, sem sentir medo do escuro que incomoda. sem sentir a falta de ar que o pânico da solidão trás. talvez pudesse brincar de deixar e esquecer.
- Deixa o mundo lá fora! Volta pra dentro. É quente, é confortável.
Se conseguisse deixar o corpo lá dentro e levar a alma pra fora. se conseguisse esquecer todos e se concentrar no escuro, talvez vivesse lá por séculos. mais talvez esse não fosse o seu melhor desejo. essa não é a sua melhor fuga, junto com o corpo a mente vaga. vôa pra fora, expande, dilata, amplia, alarga, deixa tudo como uma grande bola. a mente então volta a ser um grande beco sem saída e assim como a lagarta, se contorce pra ver se consegue criar asas.
não consegue.
diferente da lagarta, precisa de empurrão. precisa de alguém, talvez, 'alguens': pra puxar pra fora, pra se libertar, pro beco ter saída. precisa e não pede. sem coragem, sem força pra sair.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sonhou. Sonharam.


Depois disso Erick não prestou mais atenção em nada, ela era tudo o que ele conseguia se lembrar, ela era a melhor lembrança em sua mente.


Aquela tarde demorou a passar, os segundos pareciam minutos e os minutos horas. Não agüentava mais, não iria nem tentar se concentrar em qualquer outra coisa que não o levasse a ela. Se lembrava dos seus olhos verdes, não conhecia mais ninguém que tinham esse par de olhos tão puros, tão afetuosos e ao mesmo tão promíscuos.

Naquela noite ele sonhou, sonhou bonito, sonhou com os sorrisos que ela os tinha tirado, sonhou com as coisas boas que ela o proporcionava, sonhou com os cabelos que voaram quando o vento bateu naquela manhã, sonhou com as batidas fortes do seu coração e não queria acordar nunca mais, não agora. Sonhou como nunca havia sonhado antes. Sonhava que era tudo em preto e branco e que em algum momento tudo se paralisou e então as cores apareceram sem pudor. Havia vontade do colorido, havia desejo de vivacidade, como se as cores pudessem o devolver isso e então tinha um olho grande e colorido de um lado além de um sorriso no canto. Sonhou como nunca havia sonhado antes e não queria mais acordar. Sonhou.


Sofia antes de dormir ainda se perguntava quais eram os pensamentos de Erick, não sabia exatamente se gostaria de saber, ela nunca tinha reparado o quanto o sorriso dele era bonito, branco, alinhado e de como o queixo dele era quadrado. Pegou-se pensando coisas tolas e decidiu que não. Não pensou mais. Dormiu. Sonhou.